quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Jack et la Mécanique du cœur

Ok ok, sei que estou meio afastado do blog! Há tempos...
Confesso que lançar um blog é mais fácil do que manter o blog.

Lembro-me que ouvi a mesma coisa quando passei em Física na USP
(Disseram-me que passar num curso desses não era tão difícil do que que se formar)
Demorei alguns meses para concordar com isso

Mas voltado às ovelhas (não sei porque os franceses dizem isso?!)

Propus-me a escrever sobre um filme de animação que vi por aqui recentemente.
E como diria Barthes, esse é um daqueles filmes que possuem um punctum, não sei de onde e não sei porque.

Trata-se do "Jack et la Mécanique du Cœur" um filme de animação Francês lançado em 2014 por Stéphane Berla et Mathias Malzieu,o filme é inspirado no livro homônimo de Mathias Malzieu,e também num álbum da banda Francesa chamada: Dyonisos.

Dionysos é um grupo de rock da cidade de Valence na França. Seu sucesso é derivado principalmente por sua apresentação cênica associada à um universo surrealista ao qual o grupo é ligado.

É daí que vem a ideia desse post. Meu irmão Rafael solicitou-me uma pesquisa de bandas francesas pouco conhecidas na Brasil, em verdade as músicas hits que tocam por aqui são muito parecidas com as músicas do resto do mundo.

Entretanto esse universo surrealista do  "Jack et la Mécanique du cœur" e suas músicas da banda Dyonisos chamaram-me a atenção.

Se você tiver a oportunidade, assista à essa animação paixão-café-com-leite-adolescente-shakespeareiana-surreal e também se tiver a oportunidade pesquise sobre a banda Dyonisos, particularmente sobre o album "la Mécanique du cœur"

Abraços

Mais sobre o filme
Mais sobre a banda

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Roteiro e resultado

A produção de um roteiro, ou seja a transformação de um roteiro em uma cena, trata de um retexto, ou uma tradução intersemiótica. É sempre interessante verificar como essa transformação acontece.

Aproveitei a oportunidade de que estamos trabalhando roteiro para realizar uma experiência.

Peguei um filme clássico que provavelmente você já assistiu, veja a capa do roteiro:


Observe que logo de início o roteiro explica "dicionariamente" o termo PULP :]

Uma observação também importante, veja que uma boa parte das cenas de uma determinada sequência acontece dentro da casa de Marcellus (Marcellus House), entretanto, os cômodos variam (Quarto de vestir, Sala de estar, Quarto de vestir novamente e sala de estar novamente), veja como os cabeçalhos de cada cena é apresentado:


Na sequência destaquei uma cena com a discreta interpretação de Samuel Jackson, antes de ver a cena, leia o roteiro abaixo com as falas. Você já irá imaginar a cena.



Agora veja a cena...




Agora sugiro que você ouça a cena enquanto acompanha com os olhos as falas o roteiro.




Um experiência fascinante não?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O que você espera da Universidade do Futuro?


Qual é a universidade ideal para você?
Essa é uma pesquisa desenvolvida pelo grupo educacional Laureate Educational juntamente com o instituto de pesquisa Zogby Analytics, para acessar o resultado da pesquisa original em inglês, clique aqui.

Vale a pena refletir um pouco o que os estudantes esperam da educação no mundo.
 
Apresentação
É um período fabuloso para se viver. As instituições familiares que até agora provinham estabilidade, segurança e oportunidade por um milênio inteiro agora se deparam com mudanças tecnológicas radicais. O planeta não se depara com períodos semelhantes desde a final da Idade Média, com o Renascimento, o Iluminismo e o Novo Mundo. As novas instituições, orientadas para as necessidades dos prossumidores, estão mudando o cenário mundial das políticas, organizações não-governamentais, economia, finanças e educação.
Diversos pesquisadores apontam para uma profunda crise nas universidades, e buscam soluções não apenas nos EUA, como no resto do mundo, para melhor lidar com essa modelo já insustentável de educação superior que já está em débito, tanto para as instituições quanto para os consumidores. Apesar de todos os problemas levantados, ainda não há nenhum esforço consistente para entender o que os estudantes acreditam que a educação superior poderia mudar e o que eles acham que realmente deveria mudar nas universidades. A pesquisa apontou que os estudantes tem uma boa visão sobre a universidade do Futuro, para eles, a universidade deverá ser acessível, flexível, inovadora e voltada para o trabalho.
Acessível: 43% dos pesquisados acreditam que a universidade irá disponibilizar conteúdo online gratuitamente para a maioria dos cursos e mais da metade acredita que os estudantes irão utilizar plataformas de mídia social para aprender e ensinar outros estudantes (59%). Aproximadamente 7 a cada 10 pesquisados (68%) acreditam que as universidades do futuro irão disponibilizar bibliotecas online gratuitas onde os estudantes irão acessar materiais de cursos e livros e outras referências.
Flexível: A maioria dos estudantes acredita que grande parte dos cursos serão ofertados a todas as horas do dia ou noite (52%) sem programas fixos (44%) para acomodar estudantes que trabalham ou que simplesmente preferem aprender em horas diferentes. Dois a cada cinco pesquisados (41%) acreditam que estudantes universitários no futuro serão capazes de ganhar certificados especializados através de suas carreiras acadêmicas o que permitiria a eles assistir aulas a seu próprio ritmo ao invés de concentrar tudo em 2 ou 4 anos.
Inovadora: Mais da metade dos entrevistados (54%) esperam que a universidade do futuro irá prover cursos em colaboração entre estudantes enfatizando os projetos em grupos. 43% acredita que os estudantes serão capazes de acessar instrução personalizada ou tutoriais online tornando talvez a experiência em sala de aula menos importante.
Job-oriented: O dia de estudantes medievais está com seus dias contados. Os estudantes pesquisados veem a universidade do futuro como claramente focada a estudantes preparados para o mercado de trabalho. 61% dos entrevistados acredita que a universidade do futuro oferecerá cursos desenhados por experts da indústria, 64% esperam que o curso seja ofertado em múltiplas linguagens para facilitar a empregabilidade na era da globalização, e finalmente mais de 7 a cada 10 entrevistados pensa que habilidades para a carreira serão importantes para universidade do futuro, ao invés de elementos teóricos.
The University of the Future Os objetivos da pesquisa eram:
·             Determinar opiniões através de tópicos e temas relativos aos modelos de educação do ensino superior;
·             Explorar atitudes estudantis sobre sua própria universidade e como ela deveria se parecer daqui a quinze anos.
Os tópicos abordados na pesquisa incluíram:
             Grade do curso (incluindo a crescente regra de experts industriais e empreendedorismo)
             Estrutura do curso, métodos e técnicas pedagógicas (como incorporação de plataformas de mídias sociais e outros modelos de teach friendly)
             Tipos de professores
             Preparação para trabalhos, colocação e estágios
             Habilidade para terá aulas a qualquer hora em qualquer lugar
             Vida universitária no século XXI.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa Laureate Education/Zogby Analytics pesquisou 20,876 estudantes em 21 países. AZogby Analytics recebeu uma lista de 378,653 emails dos estudantes das instituições Laureate. Além disso, criou um portal para três das escolas onde não pode obter a lista de e-mails. No total participaram da pesquisa 37 universidades de 21 países.
No período de duas semanas foram enviados e-mails nas linguagens nativas dos estudantes, convidando-os para participar da pesquisa. Cada convite continha um link com uma identificação única que permitia uma única pesquisa por email. O link levava a uma pesquisa na língua nativa do estudante (exceto na Índia e África do Sul onde o língua padrão foi o inglês). Uma vez completada a pesquisa, o link expirava e não poderia mais ser usado. Duas semanas após o envio do primeiro e-mail, era enviado um novo e-mail para aqueles que não haviam respondido. A pesquisa tenha uma vida útil de quatro semanas, depois disso não podia mais ser utilizada. Os estudantes eram lembrados que esse tipo de pesquisa nunca tinha sido feita antes e que os resultados teriam uma função muito importante no futuro da educação superior mundial. Principalmente para es estudantes dos países em desenvolvimento que tinham uma média de 18 a 24 anos.
The Student of the Future (Survey Respondents)
Nos últimos 20 anos o mundo viu um impressionante crescimento da classe médias sem precedentes na história humana, especialmente o crescimento das classes C nos países em desenvolvimento. Assim, a universidade do futuro deve ser capaz de lidar com essa crescente demanda tornando o ensino superior mais acessível à essas classes emergentes. Exatamente esse público que foi abordado pela pesquisa, 1 a cada tries respondentes indicou que é a primeira pessoa da família a acessar o ensino superior. Mais impressionante da pesquisa é que 5 ou 6 a cada oito entrevistados indicaram que pagam eles mesmos por sua educação, ou o pagamento é feito através de suas famílias (90% dos entrevistados nos países em desenvolvimento). Para esses estudantes, a educação é considerada um investimento pessoal e não uma titulação. Além disso, como 1 a cada 3 dos entrevistados são os primeiros em suas famílias a acessar o ensino superior há uma sobrevalorização dessa escolaridade. A maioria dos respondentes, independentes da localização, são representantes da nova geração do milênio, ou seja, dominam as novas tecnologias de informação, possuem um relacionamento mais globalizado e grandes expectativas em relação ao futuro. Eles encontram-se principalmente, em países em desenvolvimento e são beneficiários do crescimento das taxas de educação nesses países, e também acreditam que sua educação irá levar a um maior crescimento nas economias em desenvolvimento.
Por outro lado, um enorme número de estudantes esperam por oportunidades nas universidades, eles possuem um alto grau de ansiedade e incerteza e estão bastante ansiosos com relação ao seu futuro, principalmente no que se refere ao valor do investimento num mercado relativamente limitado de trabalho. Um economista de Princeton, Alan Blinder, aponta que estudantes ocidentais entraram claramente na economia denominada “Gig Economy” onde jovens  (ou até os mais velhos que se encontram desempregados) não estão estabilizados nas carreiras mas mudando constantemente de trabalhos temporários. Segundo o economista, hoje na idade dos 20 anos muitos terão por volta de 4 gigs até os 30 anos, 10 gigs até seus 40 anos. Como resultado, o auto-aprendizado tem outro significado, ao invés do objetivo de obter um diploma, precisa criar um sistema mental que garante um aprendizado de longo termo, com cursos de capacitação, programas de certificação, mentores online e coaching, aprendizado de novas habilidades. Esses novos tipos de programas devem estar disponíveis em tempo real para poderem se encaixar nas grades dos estudantes, não das instituições” Negócios e empreendedorismo também precisarão ser mais dirigentes nos cursos pois são geradores de empregos. Segundo os próprios estudantes pesquisados
Algumas respostas
Na análise a seguir, quando se refere a maior parte ou a maioria, refere-se a mais de 60% dos entrevistaso, ou seja, entre 61 a 100%.
Transformações pela tecnologia: A visão dos estudantes sobre o futuro da universidade reflete uma crença universal no poder transformador da tecnologia na educação superior. Os estudantes são usuários de internet e querem o melhor que a tecnologia possa lhes oferecer. Materiais gratuitos, MOOCS, cursos que oferecidos a todos em momentos convenientes, professores disponíveis 24h on-screen que sejam ao mesmo tempo: tutores, mentores e encorajadores. Em cada instância, pelo meno sum terço, ou um quarto espera que a universidade do futuro (nos próximos 15 anos) seja dominada por modelos tech-friendly.
             Mais de2 a cada 5 entrevistados (43%) espera que a maioria de “seus cursos irão incluir conteúdo gratuito na internet para um número ilimitado de estudantes”. Isso inclui 45% dos estudantes entre 18-25 anos. Uma a cada três estudantes pensa que o grupo deverá pensar online ao invés de pensar na sala de aula tradicional, esse visão é compartilhada por 43% dos estudantes chineses e próximo de um terço dos estudantes latinos (por exemplo 26% dos brasileiros e 36% dos estudantes de Honduras). Um enorme grupo de 59% dos entrevistados diz que estudantes irão utilizar mídias sociais para aprender habilidades e inclusive ensinar para outros estudantes”
             Esse grupo de idade (18-24) não só domina a tecnologia, mas eles não estão acostumados a pagar por coisas que conseguem gratuitamente pela rede, por isso mais de 2/3 dos entrevistados esperam encontrar na universidade do futuro livros gratuitos e outros materiais de ensino. 74% dizem que isso vai tornar as coisas mais fáceis para eles.
             Esses estudantes não estão mais interessados em aulas das 9 às 17 mas das 7 às 24. 52% diz que “ a maioria das aulas serão disponibilizadas o dia todo e a também a noite toda”. Eles não esperam que a maioria dos cursos mantenham uma grade fixa de horários de aulas durante o ano e que os cursos serão ofertados com maior frequência para acomodar melhor as demandas dos estudantes: (44%)
             Os estudantes asiáticos, mais do que  qualquer outro grupo, acredita que, no futuro o aprendizado será dominado pelo conteúdo online, e eles também possuem uma visão mais positiva sobre esse fato. 55% dos estudantes asiáticos acreditam que as aulas o futuro serão melhores para eles, e apenas 8% pensam que as coisas podem piorar. Na américa latina esse sentimento de que as coisas podem piorar é de apenas 9%.
Educação de Valor: Estudantes querem uma educação que represente um retorno sobre seu investimento, e que esse retorno seja mais pratico e imediato, pois na maioria das vezes esse investimento é resultado de uma parceria entre eles e aqueles que se encontram numa posição melhor para lhes auxiliar. Dessa forma eles esperam que profissionais do mercado estejam mais próximos da universidade para desenhar melhor os cursos, tutoriar alguns estudantes e possivelmente realoca-los no mercado de trabalho.
             Os entrevistados possuem uma visão clara do valor de seu aprendizado. Por volta de 7 a cada 10 (71%) entendem que a maioria dos cursos do futuro irão “ensinar habilidades voltadas para as carreiras” por volta de 2 a cada 3 (64%) veem que esses cursos também terão pensamentos simultâneos em múltiplas linguagens para facilitar a mobilidade.
             A maioria espera que os cursos sejam desenhados por “experts do mercado para preparar os jovens para trabalhar em suas companhias” (60%) e por “empreendedores pagos por participantes” (45%) ao invés de “professores (scholars) ou experts do governo” (40%). Apenas 26% esperam que os cursos sejam formatados por outros estudantes. Dois a cada 5 (44%) entendem que a maior parte das instruções para o futuro será “part-time nas indústria ao invés de instrução full-time”. 43% afirmam que a maioria dos estudantes do futuro “terão tutorias personalizadas e instruções através de professores online e não pessoalmente”.
             Estudantes reconhecem que o diploma é temporário e estático e percebem que uma economia gig envolve mais certificações e recertificações, e eles que que as instituições onde eles estudam reflitam a respeito, ao invés de “ofertar cursos, todos de uma vez, num programa tradicional” 41% dos entrevistados acreditam que o estudante do futuro vai ganhar certificados ao longo de sua carreira.
             Os estudantes do futuro serão beneficiados do “desenvolvimento de carreira, oportunidades de trabalhos e supervisão provida diretamente pelos empregadores online e em tempo real”, 58%. 69% acreditam que isso irá melhorar a vida dos estudantes, e apenas 6% acredita que no futuro será mais difícil estudar. De qualquer maneira os estudantes não excluem o valor dos professores e governo, eles apenas quere se certificar de que suas habilidades venhas daqueles que estão com a “mão na massa”, ou seja, daqueles que estão numa posição mais privilegiada com relação ao mercado de trabalho. Os professores são vistos pelos entrevistados como tutores experientes, e amigos dos estudantes para que eles alcancem habilidades de relacionamento em grupo.
Ênfase e Cooperação: Ao contrário de alguns estereótipos, estudantes asiáticos são menos prováveis a pensar que os negócios futuros são um prêmio para uma performance acadêmica em cursos individuais (28% dos asiáticos contra 48% dos latino americanos). Por outro lado, os latino-americanos são os que menos acreditam que o futuro dos negócios será colaborativo (48% vs 62% dos asiáticos).
             Os estudantes pesquisados acreditam que o seu nível no futuro será baseado principalmente numa combinação de “contribuição de times e performance acadêmica” (64%) do que simplesmente numa performance acadêmica (21%), isso acabou sendo mais evidenciando entre os jovens estudantes. Mais da metade dos estudantes afirmou que os cursos do futuro serão mais “colaborativos com grande ênfase em projetos grupais”. Da mesma maneira os estudantes pensam que as empresas do futuro irão dar mais valor a trabalhos em grupo, relacionamento e certificados em habilidades de liderança ao invés do modelo atual que valoriza a performance individual.

Visão Global: Apesar de muitas questões demostrarem diferenças significantes entre diferentes regiões, assim como as diferenças entre países, muitas questões representaram uma consistência interessante, principalmente nos países em desenvolvimento.
         72% dos estudantes dos países em desenvolvimento acredita nas mudanças potenciais dos diversos tipos de cursos que serão pensados no futuro e que será melhor para os estudantes, enquanto que apenas 5% pensa que essas mudanças irão apenas piorar a situação atual. Esse sentimento positivo é compartilhado pelos estudantes dos 12 países em desenvolvimento pesquisados.
Conclusão
Hoje, existe um grande número de estudantes no ensino superior, principalmente nos países em desenvolvimento, e eles esperam que todas as tecnologias estejam a sua disposição para facilitar o processo de aprendizagem. O resultado dessa pesquisa indica que as instituições tem como desfio facilitar o processo de aprendizagem dos futuros estudantes de uma forma mais direta, pessoal, pratica, conveniente, confortável e plugada nessa que é considerada uma das passagens mais difíceis na vida de uma pessoa.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Google vocês são sensacionais!

Acabei de receber um presente do Google no mínimo genial!

A equipe google resolveu voluntariamente organizar minhas memórias de 2013 através das imagens que tenho registradas em meu celular, e montou (automatizou) um vídeo simples, um slideshow, aleatório com algumas fotos e pequenos vídeos.

E com isso mandou-me um pequeno vídeo particular. Uma ideia simples e extremamente personalizada. (confesso que tenho uma vontade de fazer como Barthes ao falar da foto de sua mãe, mas vou poupar-lhes desse sofrimento e compartilharei o vídeo logo abaixo).

Parabéns equipe Google, uma ideia genial! algo extremamente simples, mas muito gratificante para quem recebe!

Que sirva de exemplo para o Tim Cook e Mark Zuckerberg sobre o potencial das memórias visuais que eles carregam!






domingo, 22 de setembro de 2013

Como medir a altura de um prédio usando um barômetro

Acho muito interessante essa história que recebi numa reunião pedagógica quando tratamos de avaliação e retirei do Instituto de Matemática e Estatística da USP.

Há muito tempo defendo que o mais importante na escola é aprender, e não tirar nota.

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. 

O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. 


Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte: 

'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.'
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. 

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. 

Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. 

Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
 
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
 
h = (1/2)gt^2

calcule a altura do edifício.'

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações: 

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."

"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas."

"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."

"Finalmente", concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:

'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. 

Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O que é ano-versário?

No dia 04 de outubro de 1852 o papa Gregório 13 determinou que eliminemos do nosso calendário 10 dias imediatos, provavelmente, no dia seguinte dessa promulgação os aparelhos celulares de toda população passou a marcar o dia 15 de outubro (apesar de uma operadora que foi um pouco mais lenta e passou uma semana para cumprir essa determinação episcopal)

O Papa Gregório 13 (escrevo em numeral pois levo muito tempo para traduzir números romanos, mas se for mostrar para sua professora, substitua o nº 13 por XIII) reuniu um grupo de especialistas que percebeu que o ápice do inverno e do verão (solstício) estavam acontecendo 10 dias atrasado. Foram quase cinco anos de discussão para determinar o novo calendário.

A partir de 1852, cada ano que marcamos em nossos documentos temos dez dias a menos que nossos bisavós que viviam antes de 1852, é por isso que naquela épocas as pessoas aparentemente viviam menos, pois a cada 30 anos, a pessoa equivalia a 29 anos, aos sessenta tinha na verdade 58 (o que é uma grande diferença para alguém de 60).


Apesar da idade, o mais importante na vida das pessoas é aquilo que se aprende e se vive no dia a dia de sua vida (que frase redundante, não?), mas não dependemos exatamente do dia da virada do ano que é muito relativa, ao sabor de Júlio Cesar, do Papa Gregório ou de outrem.


De qualquer maneira, quando a data coincide, mesmo que relativamente, com o dia de se nascimento, dizemos que o ano para essa pessoa está mudando, o que em latim corresponderia a um ano versado, ou para os mais íntimos, aniversário.


Mesmo apesar da relatividade dessa data, qualquer pessoa se sente especial ao perceber que está no momento (determinado pelo papa Gregório) em que seu ano completa uma volta.


Percebendo isso, as empresas conseguem se valorizar diante das pessoas aproveitando esse momento especial, pelo simples fato de lhes desejar um feliz aniversário. Não há pessoa no mundo que não se sinta lisonjeado ao lembrarem de seu aniversário, seja as empresas, amigos, colegas familiares, e até inimigos.


E as redes sociais estão aí para lembrar a todos nossas datas importantes.


Feliz ano-versário!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ah, Lek lek lek, quero comprar um "Classe A" pra passear

Na necessidade de conseguir virulizar a qualquer preço, a Mercedez acaba apelando para o Funk. Bom, em parte eles conseguiram publicidade, afinal estou aqui perdendo meu tempo escrevendo sobre o comercial deles publicado ontem no youtube, e também escrevendo sobre Funk, enfim... Alguém saberia me explicar qual é a relação entre o público que compra o novo classe A e o Funk do Lek Lek? Ou é apenas um chicletão para ficar na cabeça.

De uma forma ou de outra, toda vez que eu vir um "Novo Classe A" pelas ruas, fatalmente essa música virá a minha cabeça, e estará diretamente associada a pessoa que dirige um carro desses.

A comunicação no canal da montadora no Youtube ainda tenta explicar “Nada melhor do que poder girar o volante de um lado para o outro e contar com toda a segurança do novo Classe A: tecnologias como o Steer Control e Adaptive Brake garantem precisão e estabilidade mesmo em condições de pista molhada”.

Ei, ei, será que não existe uma outra maneira de comunicar esses "benefícios" ao consumidor?

Enfim, vamos ver no que vai dar, afinal é difícil imaginar o target consumindo a música escolhida para o comercial, ainda que a “letra (a) venha da vontade de inovar”, como diz a assinatura.

Ainda defendo que propaganda não deve apenas chamar a atenção do consumidor, ou gravar-se na mente dele como um chicletão, mas posicionar o produto ou a marca, criar uma aspiraçnao, um desejo, comunicar um benefício, encantar, fazer ser desejado.

Enfim, o resultado dessa associação, só o tempo dirá!

PS. Se você gosta de Funk, compre um classe A, se você gosta de sertanejo universitário, compre um Camaro amarelo, agora, se você gosta de moda de viola, um fuscão preto é suficiente.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Pequisa em Marketing

Trabalhar com pesquisa em Marketing não é uma atividade fácil, na teoria é tudo muito belo, é preciso de informação para alimentar um banco de dados e saber tudo sobre o comportamento de seu consumidor, na prática a teoria é outra.

Entretanto encontramos algumas empresas bem sucedidas em analisar o comportamento de seus consumidores e responder positivamente a eles, algumas empresas chegam a ser tão bem sucedidas na análise desse dados que chega-se a pensar que elas estão nos espionando. O que não foge muito à verdade, pois a privacidade há muito tempo deixou de ser um ativo importante para os indivíduos, e por escolha própria.

Enfim, lembra que você odiava matemática na escola? E sua mãe dizia que a matemática estava em tudo, e você não via sentido nisso? Pois é, agora, os estatísticos - aqueles carinhas que adoravam matemática secretamente (pois se dissessem isso em público era motivo de "levar geral") estão sendo muito valorizados, e ganhando muitos números de salário (veja a ironia do destino) pesquisando comportamento das pessoas, assim, cada vez mais empresas usam  estatísticos para descobrir os desejos de seus clientes.


Por exemplo, a rede de supermercados Target (com faturamento aproximado de 70 bilhões de dólares e 1.800 lojas nos Estados Unidos), tornou-se uma das maiores varejistas do país não só por oferecer uma grande variedade de produtos a preços baixos (o que seria um pensamento lógico, afinal a Target, como a rede Walmart, possui uma estratégia de logística bem delineada e, evidentemente, uma enorme capacidade de espremer seus fornecedores durante suas negociações, a la David e Golias). Entretanto, há uma outra estratégia mercadológica quase "invisível".


A empresa utiliza uma equipe de estatísticos (olha aí os caras dos números) que trabalham na análise do banco de dados para entender o que (e por quê) cada cliente compra e, para tanto utilizam o enorme banco de dados gerado pelas máquinas de checkout dos supermercados que registram freneticamente cada código de barras de cada produto que sai, e ao final de uma leva de produtos, essas máquinas registram também (pasmem) o número do cartão de crédito (ou débito) do comprador, com seus dados de endereço e outros detalhes, (isso se... o comprador não estiver usando um cartão da loja, daí, os dados ficam ainda mais fáceis). É com base nesse dados que os técnicos interpretam comportamentos.

Com base nesses dados é possível aferir, com base nas compras, quais clientes estão grávidas sem que elas tenham divulgado nenhuma informação a respeito. Existem 25 itens que quando comprados que indicam a gravidez, como fraldas, mamadeiras, cintas pós-parto, chupetas, roupinhas de bebê, algodão, sabonetes sem cheiro e vitaminas como zinco e magnésio etc, não precisa ser nenhum gênio para perceber isso, mas as consequências dessa informação são extremamente importantes, por isso aparece um alerta no sistema sempre que uma cliente passa a comprar os produtos da lista.

Vários estudos de mercado (olha aí a pesquisa científica funcionando) apontam que pessoas que passam por mudanças importantes na vida, como casamento, divórcio, mudança de casa ou expectativa de ter um filho, estão mais propensas a se tornar mais fiéis a um loja para fazer compras. Outra informação importante é que e o melhor momento para abordar as grávidas, influenciadas por alterações hormonais, emocionais e também por questões práticas, é a partir do segundo trimestre de gestação, a partir daí ela já está conformada de sua situação, e não esconde mais a barriga. As pessoas na rua já passam a perguntar: "Você está Grávida?" Ao invés de cochichar com os outros: "Nossa, como fulana engordou!"

Depois que as futuras mamães são identificadas, e passa-se os três primeiros meses de TPM constante, o departamento de comunicação da rede passa a enviá-las promoções e correspondências para atraí-las e, se possível, retê-las por anos. Nada mais fundamental para um bom negócio do que saber o que o cliente quer (Seu José do mercadinho da esquina que o diga! Mas existe um porém, também é desejável saber o que o consumidor ainda nem desconfia que quer, mas vai querer um dia se for abordado da forma correta.

Eu disse abordado de forma correta, ok?
Não, eu não quero um brinde no aeroporto, nem no shopping, para assinar uma revista, e não, eu não quero um novíssimo cartão de crédito pré-aprovado que me ligaram exatamente na hora do almoço. Buf!


Depois de um momento de desabafo, voltamos à pesquisa em Marketing. Durante décadas, foi praticamente impossível, saber o que o consumidor quer, e como quer ser abordado. A busca por informações sobre as preferências dos consumidores focou-se em métodos analógicos de pesquisa, como aplicação de questionários e entrevistas de satisfação nas lojas. Não mais. A invenção de ferramentas para interpretar as vontades dos clientes, como os cruzamentos de dados da Target, está, finalmente, revolucionando o marketing das empresas.

Softwares poderosos aliados a programas de fidelidade permitem a coleta de muito mais informação sobre os clientes. E o mais importante:

permitem que as empresas saibam o que fazer com ela.

Chamado de garimpo de dados, ou data mining, o método está se popularizando velozmente e criando uma nova indústria.

Gigantes como IBM, Oracle, SAP e Microsoft já investiram mais de 15 bilhões de dólares na aquisição de empresas especializadas em análise e gerenciamento de dados para oferecer o serviço a redes varejistas, indústrias dos mais variados setores e cadeias de restaurantes.

Muitos consumidores não fazem ideia de que todo esse processo começa por uma ação deles mesmos. São os próprios clientes que fornecem livremente a maioria das informações usadas pelas empresas. Isso acontece, por exemplo, no uso de cartões-fidelidade e de cupons, nos acessos aos sites de comércio e até nos simples registros das compras, além é claro, do uso de redes sociais digitais.Nesse jogo de dados, as empresas que estão na internet levam alguma vantagem. Cada passo dado por quem navega por um site de compras é facilmente rastreado.

Registro de checkin por exemplo podem indicar quais os produtos favoritos de cada consumidor e em que período do dia ele frequenta determinada loja. De posse dessas informações, a empresa pode criar promoções para incentivar os clientes a visitar mais suas unidades.

A rede de supermercados Pão de Açúcar reúne dados de consumidores por meio do programa de recompensa Mais, criado em 2000 e que hoje possui mais de 2,6 milhões de clientes cadastrados. Desde o fim de 2010, em parceria com a consultoria Dunnhumby, especializada em coleta e análise de dados, a rede varejista estuda as informações do Mais. A equipe consegue identificar, por exemplo, quando um cliente deixa de incluir em seu carrinho um produto que costumava comprar. Ou se ele diminuiu sua frequência de compras. Diante disso, a empresa pode falar diretamente com aquela pessoa e enviar promoções por e-mail ou por mala direta para atraí-la novamente.

Veja o poder que o distribuidor passa a ter nas mãos diante das marcas que ele mesmo vende, e o poder de barganha com os fornecedores.Dessa forma, as descobertas feitas pela empresa também são vendidas para 19 fornecedores, entre eles Unilever, Procter&Gamble e Colgate.

Mesmo sem revelar números, as empresas admitem que têm no garimpo de dados dos clientes um ótimo caminho para aumentar seus lucros. Fazendo no entanto exatamente aquilo que se ensina nas faculdades de marketing: O Valor de um bom banco de dados para conhecer seu consumidor. Isso, Seu Zé da esquina já faz a muito tempo, usando sua caneta e sua cadernetinha.