terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Brinquedos de Animação
domingo, 22 de setembro de 2013
Como medir a altura de um prédio usando um barômetro
Acho muito interessante essa história que recebi numa reunião pedagógica quando tratamos de avaliação e retirei do Instituto de Matemática e Estatística da USP.
Há muito tempo defendo que o mais importante na escola é aprender, e não tirar nota.
Há algum tempo recebi um convite de um colega para
servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma
questão de Física, que recebera nota 'zero'.
O aluno contestava tal
conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que
houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno
concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o
escolhido.
Chegando à sala de meu colega, li a questão da
prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um
edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do
estudante foi a seguinte:
'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre
uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida
levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será
igual à altura do edifício.'
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de
alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes
vacilei quanto ao veredito.
Recompondo-me rapidamente, disse ao
estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já
que havia respondido a questão completa e corretamente.
Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada
uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não
confirmava isso.
Sugeri então que fizesse uma outra tentativa
para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega
concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que
eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria
seis minutos para responder a questão, isto após ter sido
prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente,
algum conhecimento de Física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito
nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala.
Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um
compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais
surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia
desistido.
Na realidade tinha muitas respostas, e estava
justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e
solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:
'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do
telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a
largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
h = (1/2)gt^2
calcule a altura do edifício.'
Perguntei então ao meu colega se ele estava
satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha
disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova.
Concordou, embora sentisse nele uma expressão de
descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia
dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo,
não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas
respostas.
"Ah!, sim," - disse ele - "há
muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda
de um barômetro."
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade
de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações:
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se
medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra
projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma
simples regra de três, determina-se a altura do edifício."
"Um outro método básico de medida, aliás
bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício
fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro.
Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em
unidades barométricas."
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na
ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a
determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível
da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício
pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", concluiu, "se não
for cobrada uma solução física para o problema, existem outras
respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à
porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:
'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro;
se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro
de presente.'"
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não
sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema.
Ele admitiu
que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos
professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas
prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que
ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente,
uma farsa.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
O que é ano-versário?
No dia 04 de outubro de 1852 o papa Gregório 13 determinou
que eliminemos do nosso calendário 10 dias imediatos, provavelmente, no dia
seguinte dessa promulgação os aparelhos celulares de toda população passou a
marcar o dia 15 de outubro (apesar de uma operadora que foi um pouco mais lenta
e passou uma semana para cumprir essa determinação episcopal)
O Papa Gregório 13 (escrevo em numeral pois levo muito tempo
para traduzir números romanos, mas se for mostrar para sua professora,
substitua o nº 13 por XIII) reuniu um grupo de especialistas que percebeu que o
ápice do inverno e do verão (solstício) estavam acontecendo 10 dias atrasado.
Foram quase cinco anos de discussão para determinar o novo calendário.
A partir de 1852, cada ano que marcamos em nossos documentos
temos dez dias a menos que nossos bisavós que viviam antes de 1852, é por isso
que naquela épocas as pessoas aparentemente viviam menos, pois a cada 30 anos,
a pessoa equivalia a 29 anos, aos sessenta tinha na verdade 58 (o que é uma
grande diferença para alguém de 60).
Apesar da idade, o mais importante na vida das pessoas é
aquilo que se aprende e se vive no dia a dia de sua vida (que frase redundante,
não?), mas não dependemos exatamente do dia da virada do ano que é muito
relativa, ao sabor de Júlio Cesar, do Papa Gregório ou de outrem.
De qualquer maneira, quando a data coincide, mesmo que
relativamente, com o dia de se nascimento, dizemos que o ano para essa pessoa
está mudando, o que em latim corresponderia a um ano versado, ou para os
mais íntimos, aniversário.
Mesmo apesar da relatividade dessa data, qualquer pessoa se
sente especial ao perceber que está no momento (determinado pelo papa Gregório)
em que seu ano completa uma volta.
Percebendo isso, as empresas conseguem se valorizar diante
das pessoas aproveitando esse momento especial, pelo simples fato de lhes
desejar um feliz aniversário. Não há pessoa no mundo que não se sinta
lisonjeado ao lembrarem de seu aniversário, seja as empresas, amigos, colegas
familiares, e até inimigos.
E as redes sociais estão aí para lembrar a todos nossas
datas importantes.
Feliz ano-versário!
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Ah, Lek lek lek, quero comprar um "Classe A" pra passear
Na necessidade de conseguir virulizar a qualquer preço, a Mercedez acaba apelando para o Funk. Bom, em parte eles conseguiram publicidade, afinal estou aqui perdendo meu tempo escrevendo sobre o comercial deles publicado ontem no youtube, e também escrevendo sobre Funk, enfim... Alguém saberia me explicar qual é a relação entre o público que compra o novo classe A e o Funk do Lek Lek? Ou é apenas um chicletão para ficar na cabeça.
De uma forma ou de outra, toda vez que eu vir um "Novo Classe A" pelas ruas, fatalmente essa música virá a minha cabeça, e estará diretamente associada a pessoa que dirige um carro desses.
A comunicação no canal da montadora no Youtube ainda tenta explicar “Nada melhor do que poder girar o volante de um lado para o outro e contar com toda a segurança do novo Classe A: tecnologias como o Steer Control e Adaptive Brake garantem precisão e estabilidade mesmo em condições de pista molhada”.
Ei, ei, será que não existe uma outra maneira de comunicar esses "benefícios" ao consumidor?
Enfim, vamos ver no que vai dar, afinal é difícil imaginar o target consumindo a música escolhida para o comercial, ainda que a “letra (a) venha da vontade de inovar”, como diz a assinatura.
Ainda defendo que propaganda não deve apenas chamar a atenção do consumidor, ou gravar-se na mente dele como um chicletão, mas posicionar o produto ou a marca, criar uma aspiraçnao, um desejo, comunicar um benefício, encantar, fazer ser desejado.
Enfim, o resultado dessa associação, só o tempo dirá!
PS. Se você gosta de Funk, compre um classe A, se você gosta de sertanejo universitário, compre um Camaro amarelo, agora, se você gosta de moda de viola, um fuscão preto é suficiente.
De uma forma ou de outra, toda vez que eu vir um "Novo Classe A" pelas ruas, fatalmente essa música virá a minha cabeça, e estará diretamente associada a pessoa que dirige um carro desses.
A comunicação no canal da montadora no Youtube ainda tenta explicar “Nada melhor do que poder girar o volante de um lado para o outro e contar com toda a segurança do novo Classe A: tecnologias como o Steer Control e Adaptive Brake garantem precisão e estabilidade mesmo em condições de pista molhada”.
Ei, ei, será que não existe uma outra maneira de comunicar esses "benefícios" ao consumidor?
Enfim, vamos ver no que vai dar, afinal é difícil imaginar o target consumindo a música escolhida para o comercial, ainda que a “letra (a) venha da vontade de inovar”, como diz a assinatura.
Ainda defendo que propaganda não deve apenas chamar a atenção do consumidor, ou gravar-se na mente dele como um chicletão, mas posicionar o produto ou a marca, criar uma aspiraçnao, um desejo, comunicar um benefício, encantar, fazer ser desejado.
Enfim, o resultado dessa associação, só o tempo dirá!
PS. Se você gosta de Funk, compre um classe A, se você gosta de sertanejo universitário, compre um Camaro amarelo, agora, se você gosta de moda de viola, um fuscão preto é suficiente.
domingo, 31 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Pequisa em Marketing
Trabalhar com pesquisa em Marketing não é uma atividade fácil, na teoria é tudo muito belo, é preciso de informação para alimentar um banco de dados e saber tudo sobre o comportamento de seu consumidor, na prática a teoria é outra.
Entretanto encontramos algumas empresas bem sucedidas em analisar o comportamento de seus consumidores e responder positivamente a eles, algumas empresas chegam a ser tão bem sucedidas na análise desse dados que chega-se a pensar que elas estão nos espionando. O que não foge muito à verdade, pois a privacidade há muito tempo deixou de ser um ativo importante para os indivíduos, e por escolha própria.
Enfim, lembra que você odiava matemática na escola? E sua mãe dizia que a matemática estava em tudo, e você não via sentido nisso? Pois é, agora, os estatísticos - aqueles carinhas que adoravam matemática secretamente (pois se dissessem isso em público era motivo de "levar geral") estão sendo muito valorizados, e ganhando muitos números de salário (veja a ironia do destino) pesquisando comportamento das pessoas, assim, cada vez mais empresas usam estatísticos para descobrir os desejos de seus clientes.
Por exemplo, a rede de supermercados Target (com faturamento aproximado de 70 bilhões de dólares e 1.800 lojas nos Estados Unidos), tornou-se uma das maiores varejistas do país não só por oferecer uma grande variedade de produtos a preços baixos (o que seria um pensamento lógico, afinal a Target, como a rede Walmart, possui uma estratégia de logística bem delineada e, evidentemente, uma enorme capacidade de espremer seus fornecedores durante suas negociações, a la David e Golias). Entretanto, há uma outra estratégia mercadológica quase "invisível".
A empresa utiliza uma equipe de estatísticos (olha aí os caras dos números) que trabalham na análise do banco de dados para entender o que (e por quê) cada cliente compra e, para tanto utilizam o enorme banco de dados gerado pelas máquinas de checkout dos supermercados que registram freneticamente cada código de barras de cada produto que sai, e ao final de uma leva de produtos, essas máquinas registram também (pasmem) o número do cartão de crédito (ou débito) do comprador, com seus dados de endereço e outros detalhes, (isso se... o comprador não estiver usando um cartão da loja, daí, os dados ficam ainda mais fáceis). É com base nesse dados que os técnicos interpretam comportamentos.
Com base nesses dados é possível aferir, com base nas compras, quais clientes estão grávidas sem que elas tenham divulgado nenhuma informação a respeito. Existem 25 itens que quando comprados que indicam a gravidez, como fraldas, mamadeiras, cintas pós-parto, chupetas, roupinhas de bebê, algodão, sabonetes sem cheiro e vitaminas como zinco e magnésio etc, não precisa ser nenhum gênio para perceber isso, mas as consequências dessa informação são extremamente importantes, por isso aparece um alerta no sistema sempre que uma cliente passa a comprar os produtos da lista.
Vários estudos de mercado (olha aí a pesquisa científica funcionando) apontam que pessoas que passam por mudanças importantes na vida, como casamento, divórcio, mudança de casa ou expectativa de ter um filho, estão mais propensas a se tornar mais fiéis a um loja para fazer compras. Outra informação importante é que e o melhor momento para abordar as grávidas, influenciadas por alterações hormonais, emocionais e também por questões práticas, é a partir do segundo trimestre de gestação, a partir daí ela já está conformada de sua situação, e não esconde mais a barriga. As pessoas na rua já passam a perguntar: "Você está Grávida?" Ao invés de cochichar com os outros: "Nossa, como fulana engordou!"
Depois que as futuras mamães são identificadas, e passa-se os três primeiros meses de TPM constante, o departamento de comunicação da rede passa a enviá-las promoções e correspondências para atraí-las e, se possível, retê-las por anos. Nada mais fundamental para um bom negócio do que saber o que o cliente quer (Seu José do mercadinho da esquina que o diga! Mas existe um porém, também é desejável saber o que o consumidor ainda nem desconfia que quer, mas vai querer um dia se for abordado da forma correta.
Eu disse abordado de forma correta, ok?
Não, eu não quero um brinde no aeroporto, nem no shopping, para assinar uma revista, e não, eu não quero um novíssimo cartão de crédito pré-aprovado que me ligaram exatamente na hora do almoço. Buf!
Depois de um momento de desabafo, voltamos à pesquisa em Marketing. Durante décadas, foi praticamente impossível, saber o que o consumidor quer, e como quer ser abordado. A busca por informações sobre as preferências dos consumidores focou-se em métodos analógicos de pesquisa, como aplicação de questionários e entrevistas de satisfação nas lojas. Não mais. A invenção de ferramentas para interpretar as vontades dos clientes, como os cruzamentos de dados da Target, está, finalmente, revolucionando o marketing das empresas.
Softwares poderosos aliados a programas de fidelidade permitem a coleta de muito mais informação sobre os clientes. E o mais importante:
permitem que as empresas saibam o que fazer com ela.
Chamado de garimpo de dados, ou data mining, o método está se popularizando velozmente e criando uma nova indústria.
Gigantes como IBM, Oracle, SAP e Microsoft já investiram mais de 15 bilhões de dólares na aquisição de empresas especializadas em análise e gerenciamento de dados para oferecer o serviço a redes varejistas, indústrias dos mais variados setores e cadeias de restaurantes.
Muitos consumidores não fazem ideia de que todo esse processo começa por uma ação deles mesmos. São os próprios clientes que fornecem livremente a maioria das informações usadas pelas empresas. Isso acontece, por exemplo, no uso de cartões-fidelidade e de cupons, nos acessos aos sites de comércio e até nos simples registros das compras, além é claro, do uso de redes sociais digitais.Nesse jogo de dados, as empresas que estão na internet levam alguma vantagem. Cada passo dado por quem navega por um site de compras é facilmente rastreado.
Registro de checkin por exemplo podem indicar quais os produtos favoritos de cada consumidor e em que período do dia ele frequenta determinada loja. De posse dessas informações, a empresa pode criar promoções para incentivar os clientes a visitar mais suas unidades.
A rede de supermercados Pão de Açúcar reúne dados de consumidores por meio do programa de recompensa Mais, criado em 2000 e que hoje possui mais de 2,6 milhões de clientes cadastrados. Desde o fim de 2010, em parceria com a consultoria Dunnhumby, especializada em coleta e análise de dados, a rede varejista estuda as informações do Mais. A equipe consegue identificar, por exemplo, quando um cliente deixa de incluir em seu carrinho um produto que costumava comprar. Ou se ele diminuiu sua frequência de compras. Diante disso, a empresa pode falar diretamente com aquela pessoa e enviar promoções por e-mail ou por mala direta para atraí-la novamente.
Veja o poder que o distribuidor passa a ter nas mãos diante das marcas que ele mesmo vende, e o poder de barganha com os fornecedores.Dessa forma, as descobertas feitas pela empresa também são vendidas para 19 fornecedores, entre eles Unilever, Procter&Gamble e Colgate.
Mesmo sem revelar números, as empresas admitem que têm no garimpo de dados dos clientes um ótimo caminho para aumentar seus lucros. Fazendo no entanto exatamente aquilo que se ensina nas faculdades de marketing: O Valor de um bom banco de dados para conhecer seu consumidor. Isso, Seu Zé da esquina já faz a muito tempo, usando sua caneta e sua cadernetinha.
Enfim, lembra que você odiava matemática na escola? E sua mãe dizia que a matemática estava em tudo, e você não via sentido nisso? Pois é, agora, os estatísticos - aqueles carinhas que adoravam matemática secretamente (pois se dissessem isso em público era motivo de "levar geral") estão sendo muito valorizados, e ganhando muitos números de salário (veja a ironia do destino) pesquisando comportamento das pessoas, assim, cada vez mais empresas usam estatísticos para descobrir os desejos de seus clientes.
Por exemplo, a rede de supermercados Target (com faturamento aproximado de 70 bilhões de dólares e 1.800 lojas nos Estados Unidos), tornou-se uma das maiores varejistas do país não só por oferecer uma grande variedade de produtos a preços baixos (o que seria um pensamento lógico, afinal a Target, como a rede Walmart, possui uma estratégia de logística bem delineada e, evidentemente, uma enorme capacidade de espremer seus fornecedores durante suas negociações, a la David e Golias). Entretanto, há uma outra estratégia mercadológica quase "invisível".
A empresa utiliza uma equipe de estatísticos (olha aí os caras dos números) que trabalham na análise do banco de dados para entender o que (e por quê) cada cliente compra e, para tanto utilizam o enorme banco de dados gerado pelas máquinas de checkout dos supermercados que registram freneticamente cada código de barras de cada produto que sai, e ao final de uma leva de produtos, essas máquinas registram também (pasmem) o número do cartão de crédito (ou débito) do comprador, com seus dados de endereço e outros detalhes, (isso se... o comprador não estiver usando um cartão da loja, daí, os dados ficam ainda mais fáceis). É com base nesse dados que os técnicos interpretam comportamentos.
Com base nesses dados é possível aferir, com base nas compras, quais clientes estão grávidas sem que elas tenham divulgado nenhuma informação a respeito. Existem 25 itens que quando comprados que indicam a gravidez, como fraldas, mamadeiras, cintas pós-parto, chupetas, roupinhas de bebê, algodão, sabonetes sem cheiro e vitaminas como zinco e magnésio etc, não precisa ser nenhum gênio para perceber isso, mas as consequências dessa informação são extremamente importantes, por isso aparece um alerta no sistema sempre que uma cliente passa a comprar os produtos da lista.
Vários estudos de mercado (olha aí a pesquisa científica funcionando) apontam que pessoas que passam por mudanças importantes na vida, como casamento, divórcio, mudança de casa ou expectativa de ter um filho, estão mais propensas a se tornar mais fiéis a um loja para fazer compras. Outra informação importante é que e o melhor momento para abordar as grávidas, influenciadas por alterações hormonais, emocionais e também por questões práticas, é a partir do segundo trimestre de gestação, a partir daí ela já está conformada de sua situação, e não esconde mais a barriga. As pessoas na rua já passam a perguntar: "Você está Grávida?" Ao invés de cochichar com os outros: "Nossa, como fulana engordou!"
Depois que as futuras mamães são identificadas, e passa-se os três primeiros meses de TPM constante, o departamento de comunicação da rede passa a enviá-las promoções e correspondências para atraí-las e, se possível, retê-las por anos. Nada mais fundamental para um bom negócio do que saber o que o cliente quer (Seu José do mercadinho da esquina que o diga! Mas existe um porém, também é desejável saber o que o consumidor ainda nem desconfia que quer, mas vai querer um dia se for abordado da forma correta.
Eu disse abordado de forma correta, ok?
Não, eu não quero um brinde no aeroporto, nem no shopping, para assinar uma revista, e não, eu não quero um novíssimo cartão de crédito pré-aprovado que me ligaram exatamente na hora do almoço. Buf!
Depois de um momento de desabafo, voltamos à pesquisa em Marketing. Durante décadas, foi praticamente impossível, saber o que o consumidor quer, e como quer ser abordado. A busca por informações sobre as preferências dos consumidores focou-se em métodos analógicos de pesquisa, como aplicação de questionários e entrevistas de satisfação nas lojas. Não mais. A invenção de ferramentas para interpretar as vontades dos clientes, como os cruzamentos de dados da Target, está, finalmente, revolucionando o marketing das empresas.
Softwares poderosos aliados a programas de fidelidade permitem a coleta de muito mais informação sobre os clientes. E o mais importante:
permitem que as empresas saibam o que fazer com ela.
Chamado de garimpo de dados, ou data mining, o método está se popularizando velozmente e criando uma nova indústria.
Gigantes como IBM, Oracle, SAP e Microsoft já investiram mais de 15 bilhões de dólares na aquisição de empresas especializadas em análise e gerenciamento de dados para oferecer o serviço a redes varejistas, indústrias dos mais variados setores e cadeias de restaurantes.
Muitos consumidores não fazem ideia de que todo esse processo começa por uma ação deles mesmos. São os próprios clientes que fornecem livremente a maioria das informações usadas pelas empresas. Isso acontece, por exemplo, no uso de cartões-fidelidade e de cupons, nos acessos aos sites de comércio e até nos simples registros das compras, além é claro, do uso de redes sociais digitais.Nesse jogo de dados, as empresas que estão na internet levam alguma vantagem. Cada passo dado por quem navega por um site de compras é facilmente rastreado.
Registro de checkin por exemplo podem indicar quais os produtos favoritos de cada consumidor e em que período do dia ele frequenta determinada loja. De posse dessas informações, a empresa pode criar promoções para incentivar os clientes a visitar mais suas unidades.
A rede de supermercados Pão de Açúcar reúne dados de consumidores por meio do programa de recompensa Mais, criado em 2000 e que hoje possui mais de 2,6 milhões de clientes cadastrados. Desde o fim de 2010, em parceria com a consultoria Dunnhumby, especializada em coleta e análise de dados, a rede varejista estuda as informações do Mais. A equipe consegue identificar, por exemplo, quando um cliente deixa de incluir em seu carrinho um produto que costumava comprar. Ou se ele diminuiu sua frequência de compras. Diante disso, a empresa pode falar diretamente com aquela pessoa e enviar promoções por e-mail ou por mala direta para atraí-la novamente.
Veja o poder que o distribuidor passa a ter nas mãos diante das marcas que ele mesmo vende, e o poder de barganha com os fornecedores.Dessa forma, as descobertas feitas pela empresa também são vendidas para 19 fornecedores, entre eles Unilever, Procter&Gamble e Colgate.
Mesmo sem revelar números, as empresas admitem que têm no garimpo de dados dos clientes um ótimo caminho para aumentar seus lucros. Fazendo no entanto exatamente aquilo que se ensina nas faculdades de marketing: O Valor de um bom banco de dados para conhecer seu consumidor. Isso, Seu Zé da esquina já faz a muito tempo, usando sua caneta e sua cadernetinha.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Propaganda muito além das peças publicitárias. A mídia de nicho está apenas engatinhando por aqui.
Há tempos a campanha de propaganda não se resume mais aos intervalos comerciais, outdoors e anúncios em revista. Hoje, a presença de marca exige produção de conteúdo. E para produzir conteúdo, não há nada melhor do que uma boa parceria com os especialistas em conteúdo: os Jornalistas.
Essa continua sendo a essência da Comunicação Integrada de Marketing: A interrelação entre os publicitários, designers, marketeiros, jornalistas e relações públicas.
Um exemplo dessa parceria é a existência das rádios de nicho ou customizadas: como por exemplo a 89 Fast, fruto de uma parceria entre a 89 FM e a Nestlé, e a Sul-América Trânsito – também do Grupo Bandeirantes, que celebrou cinco anos nesse domingo.
Nessa mesma linha havia a Rádio MIT, fruto de uma parceria entre o grupo Bandeirantes, a agência Africa e a montadora de automóveis Mitsubishi FM, que infelizmente chegou ao fim - após quase quatro anos no ar, a rádio – no dia 6 de março desse ano. Lançada em junho de 2008, a rádio misturava uma programação de rock com programas temáticos de aventura e esportes. A emissora foi colocada no ar na frequência 92,5 FM, pertencente à Rede Mundial, que retoma o controle do espaço com o fim da parceria entre a Band e a Mitsubishi.
Segundo informações do grupo meio e mensagem, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, a Mit FM, como era conhecida a rádio, conseguiu incrementar em 50% a sua audiência média. A emissora ocupava a 29ª posição no ranking das rádios paulistanas. Sua página no Facebook possui mais de 10 mil fãs e a rádio ficou na sexta posição da lista dos Veículos Mais Admirados, elaborada pelo Meio & Mensagem.
A Mit FM seguiu o mesmo caminho da Oi FM, que desde o primeiro dia de 2012, deixou de existir em todas as cidades nas quais operava. Por questões estratégicas, a operadora de telefonia também decidiu eliminar o patrocínio de suas estratégias de marketing. Por enquanto, o Grupo Bel, detentor das frequências da Oi, busca um novo patrocinador para o espaço, que pode ser muito interessante como uma parceria de marca e produção de conteúdo.
Já a rádio Sul-América Trânsito segue aparentemente com vento em popa. Conseguiu uma correlação positiva com a sua área de atuação (Trânsito + Empresa de seguro de autos) e com isso: "Hoje, a rádio está no topo de audiência nos horários de congestionamento entre os ouvintes. É uma prestação de serviços para clientes e não-clientes que acabou por se transformar em um fenômeno de audiência e participação. Os ouvintes formam hoje uma grande comunidade focada em trocar informações para melhorar o trânsito da cidade. "(Segundo seu próprio site)
A 89 Fast por sua vez não conseguiu uma correlação entre a marca e o conteúdo, e em abril de 2012 foi noticiado pelo portal Tudo Rádio que o contrato entre 89 FM e Nestlé não seria renovado. O acordo tinha duração de 15 meses. Como a mudança no perfil artistíco da 89 como rádio Fast não foi tão significativa já era de se esperar que esta seria uma fase momentânea da emissora. A marca Fast deixou o nome da 89 em junho e a rádio retomou a marca anterior, sem alterações bruscas na programação.
Enfim, dá para perceber nitidamente que, se existe uma correlação entre o conteúdo e a marca, há uma possibilidade de sucesso, por outro lado, uma parceria "apenas no nome" está fadada ao fracasso. A produção de conteúdo relevante e ao mesmo tempo correlato à marca é fundamental para que a parceria dê frutos. A mídia de nicho está apenas engatinhando por aqui.
Essa continua sendo a essência da Comunicação Integrada de Marketing: A interrelação entre os publicitários, designers, marketeiros, jornalistas e relações públicas.
Um exemplo dessa parceria é a existência das rádios de nicho ou customizadas: como por exemplo a 89 Fast, fruto de uma parceria entre a 89 FM e a Nestlé, e a Sul-América Trânsito – também do Grupo Bandeirantes, que celebrou cinco anos nesse domingo.
Nessa mesma linha havia a Rádio MIT, fruto de uma parceria entre o grupo Bandeirantes, a agência Africa e a montadora de automóveis Mitsubishi FM, que infelizmente chegou ao fim - após quase quatro anos no ar, a rádio – no dia 6 de março desse ano. Lançada em junho de 2008, a rádio misturava uma programação de rock com programas temáticos de aventura e esportes. A emissora foi colocada no ar na frequência 92,5 FM, pertencente à Rede Mundial, que retoma o controle do espaço com o fim da parceria entre a Band e a Mitsubishi.
Segundo informações do grupo meio e mensagem, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, a Mit FM, como era conhecida a rádio, conseguiu incrementar em 50% a sua audiência média. A emissora ocupava a 29ª posição no ranking das rádios paulistanas. Sua página no Facebook possui mais de 10 mil fãs e a rádio ficou na sexta posição da lista dos Veículos Mais Admirados, elaborada pelo Meio & Mensagem.
A Mit FM seguiu o mesmo caminho da Oi FM, que desde o primeiro dia de 2012, deixou de existir em todas as cidades nas quais operava. Por questões estratégicas, a operadora de telefonia também decidiu eliminar o patrocínio de suas estratégias de marketing. Por enquanto, o Grupo Bel, detentor das frequências da Oi, busca um novo patrocinador para o espaço, que pode ser muito interessante como uma parceria de marca e produção de conteúdo.
Já a rádio Sul-América Trânsito segue aparentemente com vento em popa. Conseguiu uma correlação positiva com a sua área de atuação (Trânsito + Empresa de seguro de autos) e com isso: "Hoje, a rádio está no topo de audiência nos horários de congestionamento entre os ouvintes. É uma prestação de serviços para clientes e não-clientes que acabou por se transformar em um fenômeno de audiência e participação. Os ouvintes formam hoje uma grande comunidade focada em trocar informações para melhorar o trânsito da cidade. "(Segundo seu próprio site)
A 89 Fast por sua vez não conseguiu uma correlação entre a marca e o conteúdo, e em abril de 2012 foi noticiado pelo portal Tudo Rádio que o contrato entre 89 FM e Nestlé não seria renovado. O acordo tinha duração de 15 meses. Como a mudança no perfil artistíco da 89 como rádio Fast não foi tão significativa já era de se esperar que esta seria uma fase momentânea da emissora. A marca Fast deixou o nome da 89 em junho e a rádio retomou a marca anterior, sem alterações bruscas na programação.
Enfim, dá para perceber nitidamente que, se existe uma correlação entre o conteúdo e a marca, há uma possibilidade de sucesso, por outro lado, uma parceria "apenas no nome" está fadada ao fracasso. A produção de conteúdo relevante e ao mesmo tempo correlato à marca é fundamental para que a parceria dê frutos. A mídia de nicho está apenas engatinhando por aqui.
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