domingo, 22 de setembro de 2013

Como medir a altura de um prédio usando um barômetro

Acho muito interessante essa história que recebi numa reunião pedagógica quando tratamos de avaliação e retirei do Instituto de Matemática e Estatística da USP.

Há muito tempo defendo que o mais importante na escola é aprender, e não tirar nota.

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. 

O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. 


Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte: 

'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.'
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. 

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. 

Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. 

Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
 
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula
 
h = (1/2)gt^2

calcule a altura do edifício.'

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações: 

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."

"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas."

"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."

"Finalmente", concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:

'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. 

Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O que é ano-versário?

No dia 04 de outubro de 1852 o papa Gregório 13 determinou que eliminemos do nosso calendário 10 dias imediatos, provavelmente, no dia seguinte dessa promulgação os aparelhos celulares de toda população passou a marcar o dia 15 de outubro (apesar de uma operadora que foi um pouco mais lenta e passou uma semana para cumprir essa determinação episcopal)

O Papa Gregório 13 (escrevo em numeral pois levo muito tempo para traduzir números romanos, mas se for mostrar para sua professora, substitua o nº 13 por XIII) reuniu um grupo de especialistas que percebeu que o ápice do inverno e do verão (solstício) estavam acontecendo 10 dias atrasado. Foram quase cinco anos de discussão para determinar o novo calendário.

A partir de 1852, cada ano que marcamos em nossos documentos temos dez dias a menos que nossos bisavós que viviam antes de 1852, é por isso que naquela épocas as pessoas aparentemente viviam menos, pois a cada 30 anos, a pessoa equivalia a 29 anos, aos sessenta tinha na verdade 58 (o que é uma grande diferença para alguém de 60).


Apesar da idade, o mais importante na vida das pessoas é aquilo que se aprende e se vive no dia a dia de sua vida (que frase redundante, não?), mas não dependemos exatamente do dia da virada do ano que é muito relativa, ao sabor de Júlio Cesar, do Papa Gregório ou de outrem.


De qualquer maneira, quando a data coincide, mesmo que relativamente, com o dia de se nascimento, dizemos que o ano para essa pessoa está mudando, o que em latim corresponderia a um ano versado, ou para os mais íntimos, aniversário.


Mesmo apesar da relatividade dessa data, qualquer pessoa se sente especial ao perceber que está no momento (determinado pelo papa Gregório) em que seu ano completa uma volta.


Percebendo isso, as empresas conseguem se valorizar diante das pessoas aproveitando esse momento especial, pelo simples fato de lhes desejar um feliz aniversário. Não há pessoa no mundo que não se sinta lisonjeado ao lembrarem de seu aniversário, seja as empresas, amigos, colegas familiares, e até inimigos.


E as redes sociais estão aí para lembrar a todos nossas datas importantes.


Feliz ano-versário!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ah, Lek lek lek, quero comprar um "Classe A" pra passear

Na necessidade de conseguir virulizar a qualquer preço, a Mercedez acaba apelando para o Funk. Bom, em parte eles conseguiram publicidade, afinal estou aqui perdendo meu tempo escrevendo sobre o comercial deles publicado ontem no youtube, e também escrevendo sobre Funk, enfim... Alguém saberia me explicar qual é a relação entre o público que compra o novo classe A e o Funk do Lek Lek? Ou é apenas um chicletão para ficar na cabeça.

De uma forma ou de outra, toda vez que eu vir um "Novo Classe A" pelas ruas, fatalmente essa música virá a minha cabeça, e estará diretamente associada a pessoa que dirige um carro desses.

A comunicação no canal da montadora no Youtube ainda tenta explicar “Nada melhor do que poder girar o volante de um lado para o outro e contar com toda a segurança do novo Classe A: tecnologias como o Steer Control e Adaptive Brake garantem precisão e estabilidade mesmo em condições de pista molhada”.

Ei, ei, será que não existe uma outra maneira de comunicar esses "benefícios" ao consumidor?

Enfim, vamos ver no que vai dar, afinal é difícil imaginar o target consumindo a música escolhida para o comercial, ainda que a “letra (a) venha da vontade de inovar”, como diz a assinatura.

Ainda defendo que propaganda não deve apenas chamar a atenção do consumidor, ou gravar-se na mente dele como um chicletão, mas posicionar o produto ou a marca, criar uma aspiraçnao, um desejo, comunicar um benefício, encantar, fazer ser desejado.

Enfim, o resultado dessa associação, só o tempo dirá!

PS. Se você gosta de Funk, compre um classe A, se você gosta de sertanejo universitário, compre um Camaro amarelo, agora, se você gosta de moda de viola, um fuscão preto é suficiente.